terça-feira, 9 de agosto de 2016

Religião e Política


A Bíblia oferece orientações sobre todas as áreas da vida, e não poderia ser diferente em relação à Política. No passado igreja e governo muitas vezes se misturaram e na maioria das vezes, nunca de forma harmoniosa.
Hoje em dia a maioria dos países ocidentais declaram-se laicos, mas no Oriente, ainda existem países aonde a religião e governo são uma coisa só.
Mas, e na atualidade, numa época em que o relativismo e o individualismo são regra, como deve ser a relação entre religião e política?

Influência da Igreja na política
“O Evangelho todo” inclui uma transformação da sociedade.
Segundo Grudem: “A boa-nova do Evangelho resultará em vidas transformadas, mas Jesus quer que resulte, ainda, em famílias transformadas. E, quando o Evangelho transforma vidas, também deve resultar em bairros transformados. E em escolas transformadas. E em negócios transformados. E em sociedades transformadas. Logo, não é natural que “o Evangelho” também resulte em governos transformados? Claro que sim!” (1)
Ao longo da história da humanidade vimos que cristãos influenciaram fortemente na criação de várias leis, sobremaneira nas leis de defesa da vida.
Baseado na transformação que o Evangelho deve realizar na sociedade, a igreja, deve através dos seus membros, exercer uma influência positiva sobre o governo.
Porém, esta influência não deve ser irada, intolerante, julgadora, desatinada e cheia de ódio, mas sim uma:
Influência cativante, gentil, solícita, amável, persuasiva, própria para cada circunstância e que sempre protege o direito do outro de discordar. Ao mesmo tempo, é firme no que se refere à veracidade e a excelência moral dos ensinamentos da Palavra de Deus. (2)
Pastores e os temas políticos
Muitos pastores, apesar de acharem correta a pregação sobre temas políticos, se abstêm de fazê-lo, para não entrarem em conflito com membros da congregação e até mesmo com os políticos locais. “Pregar sobre política gera muita divisão!” (3)
Deus chama pessoas para obras diferentes no contexto geral do seu Reino, inclusive chama alguns para pastores e outros para exercerem atividade política, por exemplo.
Grudem, acredita e defende que os pastores têm a responsabilidade de pregar e ensinar com base bíblica a respeito de assuntos que afetam as leis, o governo e a política. Afinal, tais assuntos fazem parte do ensino da Palavra de Deus.
Para aqueles pastores que acreditam que assuntos políticos “geram divisão”, a recomendação é: Usem de sabedoria para distinguir entre as questões de caráter claramente bíblico e questões mais difíceis. (4)
Todavia, os pastores, apesar de terem o dever e a responsabilidade de pregar sobre temas políticos, devem e precisam evitar uma ênfase excessiva sobre a política.
Se um pastor sente um chamado de Deus para dedicar a maior parte do seu tempo de trabalho a questões políticas, deve considerar envolver-se com uma organização paraeclesiástica (Sem conexão com a igreja), voltada exclusivamente para esta área e deixar que outra pessoa pastoreie a igreja. (5)
Carlos Almeida

Referências:
1. GRUDEM Wayne, Política Segundo a Bíblia – Princípios que todo cristão deve conhecer, Vida Nova, São Paulo, Pag. 63.
2. GRUDEM Wayne, Política Segundo a Bíblia – Princípios que todo cristão deve conhecer, Vida Nova, São Paulo, Pag. 77.
3. GRUDEM Wayne, Política Segundo a Bíblia – Princípios que todo cristão deve conhecer, Vida Nova, São Paulo, Pag. 101.
4. GRUDEM Wayne, Política Segundo a Bíblia – Princípios que todo cristão deve conhecer, Vida Nova, São Paulo, Pag. 104.
5. GRUDEM Wayne, Política Segundo a Bíblia – Princípios que todo cristão deve conhecer, Vida Nova, São Paulo, Pag. 105.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

3 perigos no treinamento de futuros pastores

Treinar a próxima geração de pastores é crucial para toda geração que deseja ver a continuação de igrejas saudáveis no futuro. Esse treinamento geralmente começa com jovens rapazes em uma congregação, geralmente em idade universitária, que têm demonstrado caráter e dons que os qualificariam para o ministério pastoral. É essencial encorajar esses jovens rapazes, pois também existem valiosos aspectos que eu venho constatado e abordado à medida que eu os equipo para o futuro e cuido de suas almas.

Aqui estão algumas tendências que eu tenho visto em meio a jovens rapazes que desejam ser pastores:

1. Pressa exagerada

Em função da explosão no movimento de plantação de igrejas dentro da cultura cristã, jovens rapazes frequentemente acabam não precisando passar pelos percursos que as gerações passadas passaram. A antiga noção de que você precisa mostrar do que é capaz é atualmente estranha para alguém de 22 anos que há um mês se graduou na faculdade e agora crê estar pronto para ser um plantador de igreja e pastor titular. O aumento de aulas de seminário online expõe indivíduos mais rapidamente à educação teológica formal sem nem mesmo possuir alguma experiência em liderança eclesiástica. O desejo de pregar imediatamente ao invés de se assentar aos pés de um pregador como aprendiz desenvolveu uma atitude de impaciência, de empoderamento, e a crença de que tal indivíduo sabe melhor e faz melhor do que o atual líder da igreja local.

A verdade é que liderar uma igreja local como responsável é bem diferente do que se assentar por um tempo teorizando como igreja deveria realmente funcionar. Pregar um sermão e receber uma avaliação positiva de um orgulhoso e encorajante grupo de amigos e familiares é bem diferente do que preparar uma mensagem toda semana, independente de quaisquer circunstâncias que ocorram na sua vida. Esses jovens rapazes nunca lideraram um ministério numa igreja, mas ainda assim crêem que estão prontos a ocupar a primeira cadeira. Isso seria equivalente ao técnico assistente do Ferroviário Atlético Clube pensar que está pronto para ser o técnico principal do Barcelona. Por alguma razão, a igreja local é o único lugar onde as pessoas realmente têm a coragem de pensar que elas já podem liderar nesse nível mais alto sem qualquer experiência.

Como alguém guia um jovem que crê estar pronto a assumir esse nível de responsabilidade e liderança antes dele ter qualquer outra experiência real de vida? Eu creio que isso começa ao ensinar jovens sob sua liderança a ouvir atentamente os sussurros à sua volta após a sua pregação. Seja encorajado, sim. Todavia, uma pessoa mais velha numa congregação estará geralmente bem animada e positiva a respeito de qualquer pessoa mais jovem a qual foi dada a oportunidade de falar. Isso não quer dizer que ele é o próximo John Piper e pronto a suprir o púlpito semanalmente.

Deixe que um líder mais jovem esteja à sua volta como pastor, observando as coisas que você faz, as decisões que você toma, as pessoas que você se encontra, e as horas você tem que investir efetivamente em ministério. Isso é bem maior do que um sermão da internet ou debate teológico. Não tema dizer a alguém que ele precisa freiar a vida um pouco, assentar-se sob o seu ensino por um tempo e liderar ministérios na igreja sem assumir a primeira cadeira. É útil também desenhar um plano de treinamento para o seu jovem líder, demonstrando a ele seu comprometimento com seu desenvolvimento.

2. Exposição exagerada às indústria e subcultura cristãs

Isso pode ser problemático, pois tal coisa permite que indivíduos sejam seduzidos por celebridades cristãs. Jovens rapazes frequentemente imitam os pregadores que lhes são expostos, e ficam mais a par com o que está acontecendo numa igreja localizada há cinco estados de distância do que numa igreja localizada em sua própria cidade. Isso tem se tornado muito complicado num mundo acessível onde hoje nos encontramos sujeitos a acessos online instantâneos.

Uma determinada igreja local em outra região do país se torna um tipo de utopia para líderes de igreja porque eles não percebem que os mesmos problemas e conflitos que alguém vê na sua própria igreja também estão ocorrendo naquela notável igreja. Cobiça ministerial começa a acontecer, e a avareza vai se infiltrando, desenvolvendo-se em falta de apreciação por sua própria igreja local. Do mesmo modo que alguém olha no Instagram do amigo e, vendo apenas o aspecto exterior das fotos, deseja a mesma vida, alguém anseando pelo pastorado que é exageradamente exposto à cultura cristã pode ser algo perigoso. Esses jovens são muito vulneráveis à mentalidade da “grama mais verde do vizinho”, a qual frequentemente resulta em termos reduzidos de serviço.

Para treinar através dessa realidade, o pastor deve ser honesto sobre a vida real. Aquela famosa igreja não explodiu de um dia para o outro. Suor, lágrimas, oração, jejum, extremo trabalho duro e o mais importante, a obra de Deus foram derramados em qualquer igreja que alcançou a estrutura que agora experimenta. Eu informo os nossos jovens que nenhum dos seus amigos perdidos em nossa cidade ouviu o seu pregador preferido da internet, ou se importa sobre o último livro que acabou de ser lançado, ou quem está falando na última conferência. Eu os pergunto mais questões a respeito dos não-cristãos que eles passam tempo juntos do que sobre o último livro que eles estão lendo. Eu quero prepará-los para ser missionários locais mais do que eu desejo vê-los ficando atualizados com um cristianismo “pop”.

3. Expectativas Não-Realísticas

Novamente, esse mundo raso cria problemas para futuros pastores à medida que eles aguardam a sua vez. A maioria das plantações de igreja nunca experimentam crescimento maior do que 100 pessoas, mas isso de modo algum indica que a igreja foi ou não é bem sucedida. Ninguém quer falar a respeito do como crescimento acontece em muitas das igrejas consideradas bem sucedidas e recebem a atenção de muitos jovens rapazes. Crescer uma igreja alcançando o perdido em sua cidade é um processo. Isso pode levar uma vida toda para conseguir ver algum resultado do trabalho. Eu tenho pena de quem é ingênuo o bastante para pensar que ele inaugurará uma igreja amanhã e se tornará um pastor de uma mega-igreja de um dia para o outro, ou algo semelhante.

No treinamento, eu creio que devemos perguntar questões a respeito de corações e motivos regularmente, e não ter reservas ao fazê-lo, pois expectativas devem ser mantidas sem visão e ambição ser desencorajada. Eu quero ver jovens rapazes animados e sonhando grandes sonhos sobre as igrejas locais em suas igrejas, porém nós preparamos jovens para o desencorajamento caso os permitamos operar mediante falsas realidades baseadas nos sucessos do seu pregador da internet preferido.

Eu estou espantado a respeito do atual movimento de plantação de igrejas e as oportunidades que isso dá para jovens pastores, já que eu sou um exemplo de alguém que não teve que esperar a sua vez ou dar provas do que era capaz. Olhando para trás, eu não creio eu estava pronto para aquele tipo de responsabilidade de liderança ou pressão, mas eu vi a graça de Deus em minha vida e igreja apesar da minha inexperiência, inadequações e deficiências. Eu espero que em nome do cuidado pelas almas e plantação saudável de igrejas, nós treinaremos os jovens e ambiciosos a fim de os preparar para o ministério ao invés de simplesmente para um estágio. Nós não precisamos de mais celebridades, nós precisamos de igrejas saudáveis.


Por: Dean Inserra. © 2015 Am i Called? Original: WHEN TRAINING MEN FOR MINISTRY, YOU MUST BE AWARE OF THESE DANGERS

Tradução: Paulo Santos Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: 3 perigos no treinamento de futuros pastores.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os tempos mudaram, os valores não

Quando relembro a minha infância e adolescência, a primeira coisa que vem a mente é o respeito e o temor que sentia pelos meus pais. Eu não me imagino chamando meu pai de “cara”, “véio”, nunca o chamei sequer pelo seu nome, era “sim senhor” pra cá, “não senhor” pra lá, nada comparado ao liberalismo de hoje, naquele tempo prevalecia o respeito e a obediência aos mais velhos.

A mesma coisa se dava na escola, respeito, disciplina e obediência era a regra.  Havia respeito  à hierarquia. Os professores eram respeitados, muitas vezes até odiados, mas nunca eram desrespeitados. Os alunos “bagunceiros” eram castigados e o patriotismo era exercitado todos os dias. Ao chegarmos para a aula, antes nos perfilávamos diante do pavilhão da bandeira do Brasil para cantarmos o Hino Nacional.

Hoje tudo mudou, e como mudou. Tempos atrás, ainda quando meus filhos estavam no ensino médio, a direção do colégio convocou os pais de alunos para uma reunião para discutir o que fazer com os alunos baderneiros e mal educados que não respeitavam os professores. A diretora contou o caso de um pai que ameaçou processar o colégio por ter suspendido seu filho por três dias das aulas por ter faltado com o respeito reiteradas vezes  para com uma professora.

Mas o que está acontecendo? Está certo que os tempos mudaram, mas os valores continuam os mesmos,  valores não se alteram, são permanentes.

Muitos pais quando indagados do porque não castigarem seus filhos quando cometem malfeitos, assim como era feito no passado pelos nossos pais, alegam que o famoso médico pediatra e autor de livros, Benjamin M. Spock (1903-1998) diz que “não se deve castigar os filhos sob pena de traumatiza-los e prejudicar a sua autoestima”. Não é a toa que o Drº. Spock ficou conhecido como o “pai da permissividade”.

O Brasil tem agora uma lei que proíbe os castigos físicos como forma de disciplina e educação de crianças e adolescentes, a chamada “Lei da palmada”, um retrocesso na educação dos filhos.

Alguém disse que os professores não podem disciplinar os alunos quando se comportam mal. Eu nunca soube que disciplina fazia mal, pelo contrário, disciplina ajuda a formar o caráter reto no homem. Errado é agredir, humilhar, dar socos e pontapés, há uma grande distância entre disciplina e agressão.

Creio que dos conselhos de médicos permissivos, das manifestações de homens e mulheres não tementes a Deus  foi que fez começar a tomar corpo a frouxidão moral que impera no mundo, uma frouxidão moral que só encontra paralelo com o que acontecia na antiga Roma.

Muito da responsabilidade disso tudo cabe à Suprema Corte dos Estados Unidos, que em 1962 a pedido de um grupo de famílias, declarou inconstitucional a oração oficial que era feita nas escolas. E olha que era uma oração bem simples, veja:

“Deus todo poderoso, reconhecemos a nossa dependência de Ti e pedimos Tuas bênçãos sobre nós, sobre nossos pais, nossos professores e sobre o nosso país. Amém”.

O grupo de famílias que reivindicou a retirada da oração alegou que a oração ao “Deus todo poderoso” era contraditória à fé professada por eles.

Em 1963, a justiça americana declarou também que ler a Bíblia nas escolas era inconstitucional. Como tudo o que acontece nos Estados Unidos reflete no mundo todo, no Brasil não poderia ser diferente, veja o caso recente do pedido de retirada do “Deus seja louvado” da nossa moeda, o real.

Há anos o homem vem se afastando de Deus, das coisas dEle, não pedimos mais que Deus nos abençoe e nos proteja, que caminhe conosco, ao contrário pedimos que Ele se afaste e nos deixe viver as nossas vidas em paz. Bastaria dar uma olhada na Bíblia, que banimos das Escolas, para saber o que acontece toda vez que o homem tenta afastar-se de Deus e guiar-se totalmente por sua vontade.

“E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra” (Gn 6:12-13).

Apologia ao sexo, distribuição de camisinhas, campanhas para legalização do aborto, marcha da maconha, este é o panorama atual. A indústria do entretenimento despeja no mercado filmes e novelas que promovem a violência, o sexo livre, o adultério, o uso de drogas. E as músicas? Existem por ai músicas que fazem apologia à violência, ao estupro, ao desrespeito às autoridades, e ainda, muitas com temas satânicos.

Um belo dia, (creio que será um dia negro) acordaremos e nos depararemos com a indiferença de nossos filhos diante da morte brutal de seres humanos, da sua total falta de noção do certo e errado, do seu comportamento inadequado nas escolas, do seu vício em drogas, álcool e sexo.

Enxergaremos que o destino desta caminhada, desta nossa peregrinação por este mundo, só poderá ser um, o inferno.

A maioria da humanidade caminha para passar a eternidade sendo afligida no inferno. Neste dia, se formos sinceros conosco mesmos, admitiremos a nossa culpa nesta derrocada moral e tardiamente veremos que tudo isso é reflexo das sementes que plantamos, a nossa caminhada rumo ao inferno é o fruto que estamos colhendo.

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:7-8).

Carlos Almeida

Referências:
- Carlos Gutemberg, Estados Unidos completam 50 anos sem oração oficial nas escolas – Disponível na Internet.
- Armando Maynard, As “CriONCINHAS” de hoje e sua educação frouxa – Disponível na Internet.