sábado, 19 de março de 2011

O sofrimento dos inocentes

Hoje, 17 de março, se minha filha Raquel estivesse fisicamente entre nós, estaríamos comemorando o seu aniversário de nascimento. Entretanto, como isto não nos é mais possível, que as minhas palavras abaixo sejam um memorial de homenagem e de saudade, já que ela teve um outro nascimento, este, para a vida eterna junto de Deus.

Sempre que leio, falo ou reflito sobre o mal físico e moral presente no mundo vem-me logo à mente o problema do sofrimento dos inocentes. Este sofrimento, e principalmente o das crianças, continua sendo no meu entender a ponta mais aguda do problema do mal, e sou muito sensível a ele.
   
Embora não especialista no assunto, tenho apenas uma resposta a dar, dentro das minhas limitações. Esta resposta se resume no seguinte: ou se admite, ou se rejeita a fé cristã. Se se admite, é necessário assumi-la em sua totalidade e considerar que na Revelação de Deus são os justos, os santos, os inocentes, que pagam pelos outros. É o mistério das Bem-aventuranças.

O MAIOR TORTURADO DE TODA A HISTÓRIA FOI JESUS DE NAZARÉ:  não só ele padeceu injustamente, mas até se ofereceu a esse padecimento para nos salvar. Estamos aqui em presença de uma realidade primordial de nossa fé, a mais misteriosa, porém a mais essencial, ou seja, a misteriosa solidariedade dos inocentes com o sofrimento alheio. Esta solidariedade outra coisa não é que sua união misteriosa aos padecimentos de Jesus. Os inocentes que sofrem são os principais testemunhos de Deus, aqueles que recebem as maiores graças divinas, porque, melhor que os outros, salvam os seus irmãos humanos, por estarem mais unidos a Jesus moribundo e ressuscitado.

Sei perfeitamente que é preciso lutar sem tréguas contra o sofrimento dos inocentes, mas sei também que o sofrimento e a morte deles não é um cataclismo definitivo; é o reverso de um mistério de união com a Cruz.

A solidariedade dos inocentes no sofrimento alheio é um fato. Nenhuma religião, com exceção da cristã, lhe oferece uma explicação. É uma explicação, eu concordo, centrada em um mistério, mas se o rejeitarmos, nos encontraremos diante de uma escuridão ainda mais densa e impenetrável. Só uma visão completa do pecado e da redenção, em que a alma e o corpo, o espírito e a matéria desempenham o seu papel, tanto no bem como no mal, é que nos permitiria explicar, de algum modo, o problema real e candente do sofrimento.
   
Estou consciente de que, nesta tarefa, deveremos contar permanentemente com o socorro e a inspiração de Deus, por ser Ele o anti-mal por excelência. Com efeito, a Bíblia Sagrada, que nos testemunha a palavra de Deus, também nos assegura com plena certeza que, após o Calvário e a Cruz, Deus nos coroa com a glória da Ressurreição.

Professor Aroldo

8 comentários:

  1. Professor Aroldo,

    Encontrei a mensagem no diHITT e achei seu depoimento muito comovente. Acabo de postá-lo no meu Facebook para outras pessoas lerem. É preciso muita fé no Senhor para suportarmos as dores da vida por quais todos nós iremos passar um dia. Um abraço e Deus o abençoe!!!

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  2. Olá, Professor Aroldo
    Gostei muito de suas palavras no post, continue a escrever, vale a pena ler palavras tão sábias.
    Zulmira

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  3. Ola .. muito legal a matéria q Deus te abençõe ... lindo blog bjus http://blogeutebusco.blogspot.com/

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  4. Hum isso me lembra a passagem na Bíblia que diz: Em (Êxodo.1:22) o qual ordenou Faraó a todo seu povo dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas tòdas as filhas gaurdareis. Quantas crianças inocentes foram mortas para Que oFaraó não tivesse a preocupação de ver seu trono destruido. Lembra. Quando Jesus nasceu muitos meninos foram sacrificados. Onde diz que Raquel chorou por seus filhos. Olhe estou seguindo seu blog. Parabéns pelo post. Abraço Deus abençoe sua vida.

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  5. Carlos, excelente matéria, é de se arrepiar toda da emoção contida nesta postagem.


    Abraços

    Dilma

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  6. Lindas suas palavras. Como sempre falo aos meus: nada mais nobre neste mundo do que as lágrimas de quem vê um filho partir antes de si. Mas quando cremos em Deus, sabemos que quem partiu está com Jesus. E na cruz colocamos todos os nossos anseios e tristezas.

    Paz e bem!

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  7. Sábias palavras. Os que sofrem serão consolados. Felizes os que partem na paz de Deus, pois tem a certeza da vida eterna. Os que sofrem sabem como é boa a paz de Deus, nós não entendemos bem, mas quem sofre sabe e essa certeza é o alento. Deus é nosso Pai muito amado e Ele cuida dos seus filhos tão bem, porque não pertencemos a este mundo, somos do reino Dele.
    Abraço grande, fique na paz que a sua filha está agora.

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