sábado, 2 de julho de 2011

Amor Imortal

Em memória de minha filha Raquel, falecida em 21 de agosto de 2010


                             Sete anos de pastor Jacó servia
                             Labão, pai de Raquel, serrana bela;
                             Mas não servia ao pai, servia a ela,
                             E a ela só por prêmio pretendia.

                             Os dias, na esperança de um só dia
                             Passava, contentando-se com vê-la.
                             Porém o pai, usando de cautela,
                             Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

                             Vendo o triste pastor que com enganos
                             Lhe fora assim negada a sua pastora,
                             Como se a não tivera merecida,
                                                     
                             Começa de servir outros sete anos,
                             Dizendo: "Mais servira, se não fora
                             Para tão longo amor tão curta a vida".

                                               Luís de Camões
                                                     ******

Raquel, do hebraico "rahel", = ovelha, na genealogia bíblica filha do arameu Labão, mulher predileta de Jacó (Gen 29,6-30). Raquel foi mãe de José (Gen 35,16-18) e de Benjamin (Gen 35,16-18), em cujo nascimento ela morreu. Foi sepultada no caminha entre Betel e Éfrata. (Van Den Born, Dicionário Enciclopédico da Bíblia).

Raquel era filha de Labão, irmão de Rebeca, e pertencia à linhagem de Abraão. Ela era pastora, bonita de corpo e de rosto, informa-nos a Bíblia. Conheceu Jacó à beira do poço da aldeia e os dois se apaixonaram logo à primeira vista. Labão contratou Jacó para trabalhar durante sete anos para ele, em troca da mão de sua filha. Começou assim a história do nascimento das doze tribos de Israel, o Povo de Deus.
O trecho de Gênesis 30,22-24 mostra-nos Raquel como a mãe de José, o patriarca de uma grande tribo do Povo de Deus: - “Então Deus se lembrou de Raquel”. Deus a atendeu, tornando-a fecunda. Ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: "Deus retirou a minha desonra". Ela lhe deu o nome de José, pois disse: "Que o Senhor me dê mais um filho".
A história de Raquel revela que os filhos dela e de Jacó nasceram sempre com a ajuda direta de Deus, que interveio na vida dela e curou-lhe a esterilidade. Como nos conta a Bíblia, Deus se lembrou de Raquel e a tornou fecunda. Ela deu à luz José, o patriarca da grande tribo que recebeu as bênçãos de Deus e se destacou entre as doze tribos de Israel. A bênção de Deus veio sobre "a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre os irmãos" (Gen 49,26).

A história das duas mulheres de Jacó, Lia e Raquel, personagens de um dos mais belos e conhecidos sonetos da língua portuguesa pela pena mágica de Luís de Camões, ambas mães dos doze filhos que formaram as doze tribos de Israel, vem contada nos capítulos 29 a 31 do Gênesis. Jacó trabalhava havia sete anos para seu tio Labão. Seu "salário" seria o casamento com a prima mais jovem, Raquel. Labão, porém, seguiu o costume da região e, na noite de núpcias, introduziu furtivamente na tenda nupcial a filha mais velha, Lia.
O autor do Gênesis diz que Lia era "odiada". Ele, entretanto, não revela quem a odiava. O pai a entregou a um homem que não a amava. A mulher que Jacó amava era realmente sua prima Raquel. Nas sociedades patriarcais, a posição das mulheres era determinada pelo número de seus filhos. Lia se tornou mãe de quatro: Rúben, Simeão, Levi e Judá. Com o nascimento de cada filho, ela esperava ganhar o amor de Jacó, mas em vão. Foi uma mulher realizada como mãe, apesar de esposa mal-amada.
Jacó é pai, através de Lia e de Raquel, a doze filhos que estão na origem das doze tribos de Israel. É por essa razão que a Bíblia narra com detalhes os nascimentos dos descendentes de Lia e de Raquel. Elas são as grandes matriarcas de Israel. Infelizmente, não havia meios para Lia, a irmã mais velha e menos atraente, segurar o amor de seu marido. Até o fim da vida, Raquel foi a predileta de Jacó. E o filho dela, José, tornou-se também o predileto de seu pai, Jacó.
Entretanto, os doze filhos de Jacó receberam a bênção patriarcal e todos serão relembrados, enquanto o Povo de Deus caminhar nesta terra.

Assim como para o tão grande amor de sua filha Isabela, de seus pais, de seus irmãos Carlos, Júlio e Aroldo Júnior, assim também foi tão curta a vida da Raquel, minha filha. Mas, como a Raquel bíblica, que deixou dois filhos que foram a esperança e os fundamentos do Povo de Israel, assim também minha filha Raquel deixou uma filha, Isabela, que na sua radiosa adolescência é a esperança e a alegria de seus velhos e sofridos avós.

Professor Aroldo

Um comentário:

  1. lINDO AROLDO, LINDO É O AMOR DE UM PAI POR UM FILHO... EMOCIONANTE;...

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