sexta-feira, 29 de julho de 2011

A morte

No próximo dia 21 de Agosto, completará um ano do falecimento da minha irmã Raquel. Rememorando os fatos tristes daquele dia, veio-me a mente a pergunta que minha sobrinha Isabela, filha da Raquel fez: “E agora, o que acontecerá com a minha mãe, o corpo dela vai ser enterrado e a alma dela para onde vai?”. Responder essa pergunta, que na época não consegui, é a melhor homenagem que eu poderia fazer à Raquel neste primeiro aniversário da sua morte.

A morte como fenômeno natural é muito discutida no âmbito da religião e da ciência. O homem desde os primórdios dos tempos vê a morte sob uma ótica mística, mágica e misteriosa. A crença numa vida após a morte é comum e antiga. Várias religiões crêem que após a morte o ser vivo ficaria junto do seu criador, Deus. Já a ciência, diz que do ponto de vista científico, não se pode confirmar nem rejeitar a idéia de uma vida após a morte.

A morte é um fato inegável no futuro de todas as pessoas, em Hebreus 9:27 há uma afirmação direta sobre a morte: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso, o juízo”.

Mas afinal o que é a morte?

O pastor Eldo Kruger da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Rio Claro, estado de São Paulo não crê que a morte seja o fim: “No dia de finados muitos vão ao cemitério. Como sinal de consideração e gratidão pelos que um dia estiveram conosco, porém, já partiram, costuma-se levar flores para colocar sobre o túmulo. Com este gesto, afirma-se a fé e a esperança na ressurreição da vida. Flor é vida. Ao colocarmos flores sobre o túmulo estamos afirmando que a morte não é o fim. Em Cristo há vida eterna! Cremos na ressurreição !”. (1)

A morte é uma separação entre o corpo físico e o espírito. Quando o corpo está separado do espírito ele está morto. Eclesiastes 12:7 diz: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Tiago 2:26 também fala da morte como uma separação do corpo e o espírito.

Estas passagens falam do cessar da vida em seu estado corpóreo como o conhecemos. Mas este não é o fim da existência. A vida e a morte, de acordo com a Bíblia Sagrada, não são entendidas como existência e não-existência, mas como dois estados diferentes de existência. A morte é uma transição para um modo diferente de existência; não é, como costumamos imaginar, a extinção da vida.

Além da morte física, a Bíblia fala da morte espiritual e da morte eterna. A morte espiritual é a separação entre a pessoa e Deus. A morte eterna é a consumação desse estado de separação, a pessoa fica perdida por toda a eternidade, em seu estado pecaminoso. A morte espiritual é a incapacidade de reagir a questões espirituais ou mesmo uma perda total da sensibilidade a tais estímulos. Paulo fala sobre isso em Efésios 2:1-2: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”.

Por outro lado, quando o Livro de Apocalipse refere-se à “segunda morte” (ver Ap 21:8) trata-se da morte eterna. Essa segunda morte é algo separado da morte física normal e subseqüente a ela.
Apocalipse 20:6, nos diz que os justos não provarão a segunda morte. A segunda morte é um período infinito de punição e separação da presença de Deus, a concretização do estado de perdição do indivíduo que estiver espiritualmente morto no momento da morte física.

Os efeitos da morte

A Bíblia, não nega que a morte física é um fato universal, mas insiste em que ela possui significados diferentes para o crente e o descrente.

Para o descrente, a morte é uma maldição, uma penalidade, um inimigo. Pois embora não traga a extinção, a pessoa é afastada de Deus e de toda oportunidade de obter a vida eterna, Mas para os que crêem em Jesus e, são justos, a morte possui um sentido diferente. O justo passa pela morte física, mas sua maldição desaparece. Porque Cristo mesmo tornou-se maldição por nós, morrendo na cruz, os justos, embora ainda sujeitos à morte física, não provaram seu poder amedrontador, sua maldição (ver 1Co 15:54-57).

O estado intermediário

O “estado intermediário” refere-se à condição dos homens entre a morte e a ressurreição. A pergunta é: Qual a condição do indivíduo durante este período?

A pergunta da minha sobrinha não foi tola nem fruto de uma curiosidade fútil, a pergunta era e ainda é importante para ela, infelizmente na época não pude aproveitar a situação para dar uma resposta que servisse para ajudá-la, hoje creio que estou corrigindo esta minha falha.

“Entre a morte e a ressurreição, há um estado intermediário em que crentes e incrédulos experimentam, respectivamente, a presença e a ausência de Deus”.

Para harmonizar o testemunho bíblico acerca da ressurreição do corpo e da sobrevivência consciente entre a morte  e a ressurreição é preciso ter em mente as seguintes considerações:

  • Joachim Jeremias destacou que o Novo Testamento faz distinção entre o Geena e o Hades. O Hades recebe os ímpios no período entre a morte e a ressurreição, enquanto o Geena é o lugar de punição designado permanentemente no julgamento final. O tormento do Geena é eterno (Mc 9:43,48). Além disso, as almas dos ímpios ficam fora do Hades, enquanto no Geena, ambos, corpo e alma, reunidos na ressurreição, são destruídos pelo fogo eterno (Mc 9:43-48; Mt 10:28). Isso se contrapõe à idéia de alguns pais da igreja primitiva de que todos os que morrem, justos e injustos igualmente, descem ao Sheol ou ao Hades, uma espécie de estado sombrio, de sonho, em que aguardam pela vinda do Messias.
  • Há indicações de que os justos, ao morrer, não descem ao Hades (Mt 16:18,19; At 2:31 [citando Sl 16:10]).
  • Antes, os justos, ou pelo menos a alma deles, são recebidos no paraíso (Lc 16:19-31; 23:43).
  • Para Paulo, estar ausente do corpo equivale a estar na presença do Senhor (2Co 5:1; Fp 1:19-26).(2)
Estas considerações bíblicas nos fazem concluir que, na morte, os justos vão imediatamente para um lugar e um estado de bem-aventurança, enquanto os ímpios passam a experimentar dor, tormento e punição. Embora não haja provas claras, é provável que esses sejam os próprios lugares a que os justos e os ímpios irão após o grande julgamento, já que a presença do Senhor (Lc 23:43; 2Co 5:8; Fp 1:23) nada mais deve ser se não o céu. Mas ainda que o lugar do estado intermediário e o do estado final possam ser o mesmo, as experiências do Paraíso e do Hades sem dúvida não serão tão intensas como serão após o grande julgamento, já que a pessoa estará numa condição um tanto incompleta. Só na ressurreição vindoura (1Co 15) a pessoa receberá um corpo novo ou aperfeiçoado.

Carlos Almeida
Referências:
- Bíblia Sagrada Versão ARA, Sociedade Bíblica do Brasil.
- Erickson J. Millard, Introdução à Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, SP – 1997.
Citações:
(1) Pastor Eldo Kruguer – Texto disponibilizado na Internet.
(2) Erickson J. Millard, Introdução à Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, SP – 1997, Pg. 492, 493.

Um comentário:

  1. Olá, Vida.
    Debora comentou a notícia A morte.

    Comentário:
    Gosto de pensar que sou parte do universo e nunca deixarei de sê-lo.
    Não precisa se preocupar com a morte,ela vem pra todos.
    Abç.

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