sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A igreja bíblica

“A vida cristã não é solitária. É costumeiro descobrir no livro de Atos que a conversão leva o indivíduo à comunhão com um grupo de crentes. A essa dimensão coletiva da vida cristã, chamamos igreja”. (1)

Significado de “igreja”

Percebe-se melhor o significado do termo igreja quando observado no contexto grego e veterotestamentário. No grego clássico, a palavra utilizada no Novo Testamento é ekklêsia, que se referia a uma assembléia de cidadãos de uma localidade.
No Antigo Testamento o termo equivalente qâhâl, não dizia respeito aos membros, mas sim ao ato de se reunirem.

No Novo Testamento, a palavra igreja tem dois sentidos. Por um lado, simboliza todos os crentes em Cristo em todas as épocas e lugares. Esse sentido universal encontra-se em Mateus 16:18, em que Jesus promete que construirá sua igreja. Porém, em maior número de vezes “igreja” indica um grupo de crentes em dada localização geográfica. Isso fica claro em 1 Coríntios 1:2.

A unidade da igreja

Uma doutrina sobressai de forma muito clara no Novo Testamento, é a da unidade da igreja. Esta unidade é destacada na oração sacerdotal de Jesus em João 17:20-23. Isso se reflete também numa referência à igreja de Jerusalém, em Atos 4:32, e no apelo para que os crentes tenham um só coração e uma só mente, conforme Filipenses 2:2.

Ao contrário, porém, a igreja como vemos em dia, não parece estar nada unificada. Várias denominações competindo umas com as outras. Seus membros relacionam-se de forma indiferente e até hostil. Mas como crentes, deveríamos estar buscando a unidade, pois essa é a vontade de Cristo para a sua igreja. Um dia, porém, quando a noiva de Cristo, a igreja, for reunida, haverá verdadeira unidade. A unidade em outras palavras aplica-se à igreja universal ou invisível, mais do que a igreja física.

Existe também uma concepção de que a unidade da igreja significa uma unidade orgânica. Nesta concepção as congregações se uniriam numa grande denominação, juntando as suas tradições. Um exemplo foi realizado no Canadá, aonde, metodistas, presbiterianos e congregacionais se juntaram em uma só comunidade formando a Igreja Unida do Canadá.

Figuras bíblicas da igreja

Para continuarmos nosso intento de conhecer a verdadeira igreja, precisamos examinar as figuras que Paulo usou para  definir a igreja. Paulo a descreve como o povo de Deus, o corpo de Cristo e o tempo do Espírito Santo.

O povo de Deus

A igreja é o povo escolhido de Deus; ela pertence a Ele, e Ele pertence a ela. Paulo escreveu sobre a decisão de Deus de fazer dos crentes o seu povo. O próprio Deus disse: “Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2Co 6:16).

Deus desejou que o seu povo (Israel) fosse puro e santo. Como noiva de Cristo, a igreja também deve ser santa: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5:25b-27).

O corpo de Cristo

A imagem da igreja como o corpo de Cristo é usada tanto para a igreja universal (Ef 1:22,23) como para congregações locais (1Co 12:27). A figura do corpo de Cristo também destaca a ligação da igreja, como um grupo de crentes, com Cristo. A figura de igreja como corpo de Cristo inclui vários aspectos:

1) Cristo é a cabeça desse corpo (Cl 1:18) do qual os crentes como indivíduos são membros ou partes deste corpo. Os crentes unidos a Ele estão sendo alimentados por meio dEle, a cabeça a que estão ligados (Cl 2:19). Sendo a cabeça do corpo (Cl 1:18), Ele também governa a igreja. Cristo é o Senhor da igreja. Ela deve ser guiada e controlada por suas orientações.

2) A figura do corpo de Cristo fala da ligação mútua entre todas as pessoas da igreja. Não existe uma vida cristã isolada, solitária. Em 1Coríntios 12, Paulo desenvolve o conceito da interligação do corpo, especialmente no que se refere aos dons do Espírito. Ele salienta a dependência de cada um em relação a todos os outros crentes. Em Efésios 4:11-16, Paulo desenvolve a idéia do valor da contribuição de cada um para os outros. Membros do corpo devem levar as cargas uns dos outros (Gl 6:2) e restaurar os que estão em pecado (v.1). Em alguns casos, lidar com membros em pecado pode significar restauração terna. Às vezes também pode significar afastar da comunhão os que a estão maculando.

3) A comunhão genuína é uma característica do corpo. Isso não significa meras relações sociais, mas um sentimento de intimidade e uma compreensão mútua. Deve haver empatia e encorajamento (edificação). O que é experimentado por um é experimentado por todos. Paulo escreveu: “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1Co 12:26). No livro de Atos a igreja chegou a dividir bens materiais uns com os outros.

4) O corpo deve ser unido. Todos os crentes são batizados no corpo pelo mesmo Espírito (1Co 12:12,13). Por isso episódios como os da igreja de Corinto, onde seus membros estavam divididos quanto aos líderes que deveriam seguir (1Co 1:10-17; 3:1-9) não devem ocorrer.

5) O corpo de Cristo é universal. É para todos. Todos podem se chegar a Ele. Não há requisitos especiais como nacionalidade. Todas as barreiras desse tipo foram removidas, como diz Paulo: “no qual não pode haver grego, nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos” (Cl 3:11).

6) A igreja sendo o corpo de Cristo, é a extensão de seu ministério. Esse aspecto refere-se à Grande Comissão de Cristo. Tendo mencionado que toda a autoridade no céu e na terra havia sido dada a Ele (MT 28:18), Jesus enviou seus discípulos para evangelizar, batizar e ensinar, prometendo-lhes que sempre estaria com eles, até o final dos tempos (v.19,20). Cristo lhes disse que deveriam prosseguir com seu trabalho e que o fariam em grau assombroso (Jo 4:12). A obra de Cristo, portanto, sendo feita por todos, será feita pelo seu corpo, a igreja. (2)

O templo do Espírito Santo

É o Espírito que fez surgir a igreja. Essa obra impressionante do Espírito ocorreu no Pentecostes, em que Ele batizou os discípulos e converteu três mil, fazendo nascer a igreja. E o espírito continua trazendo pessoas para a igreja: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos  nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co 12:13).

A igreja agora é habitada pelo Espírito, tanto no aspecto individual como no coletivo. Habitando na igreja, o Espírito Santo divide com ela sua vida. As qualidades próprias de sua natureza e referidas como “fruto do Espírito” serão encontradas na igreja: Amor, alegria, paz longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5:22,23). A presença destas qualidades indicam a atividade do Espírito Santo e, em certo sentido, da genuinidade da igreja.

Resumindo

A igreja não deve ser percebida como um fenômeno sociológico, mas como uma instituição estabelecida por Deus. Em conseqüência, sua essência não deve ser determinada por uma análise de suas atividades, mas pelas Escrituras.

A igreja existe por causa do seu relacionamento com Deus Triúno. Existe para cumprir a vontade do Senhor no poder do Espírito Santo. A igreja é a continuação da presença e do ministério do Senhor no mundo.

A igreja deve ser uma comunhão de crentes regenerados que demonstram as qualidades espirituais de seu Senhor. A pureza e a devoção devem ser destacadas.

Embora uma criação divina, a igreja é formada por seres humanos falhos. Ela não alcançara a perfeita santificação ou glorificação antes do retorno do seu Senhor.

Carlos Almeida

Citações:

(1) Erickson, Millard J. – Introdução À Teologia Sistemática – Tradução: Lucy Yamakami – São Paulo – Vida Nova, 1997 – Página 437
(2) Erickson, Millard J. – Introdução À Teologia Sistemática – Tradução: Lucy Yamakami – São Paulo – Vida Nova, 1997- Página 442
Referências: Introdução À Teologia Sistemática – Millard J. Erickson – Tradução: Lucy Yamakami – São Paulo – Vida Nova, 1997

Um comentário:

  1. gosteide sua materia , infelizmente hoje emdia tem gente pensando que igreja são os templos e não as pessoas, e as deixam de lado como mnotivo para ter um templo bonito

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