segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A igreja bíblica - Governo

A questão do governo da igreja consiste, em última análise, em definir onde reside a autoridade dentro da igreja e quem deve exercê-la. Na realidade, os defensores das várias formas de governo da igreja concordam que Deus é (ou possui) a autoridade final. Os pontos em que diferem estão em suas concepções de como ou por meio de quem Ele expressa ou exerce essa autoridade. (1)

Formas de governo da igreja

Episcopal

Na forma episcopal, a autoridade está no Bispo. Existem vários graus de episcopado, variantes quanto ao número de níveis de Bispos. A igreja Metodista tem a forma mais simples de governo episcopal, ela só possui um nível de Bispos. A igreja Anglicana ou Episcopal possui um sistema um pouco mais desenvolvido e a igreja Católica Romana possui o sistema mais complexo, com a autoridade centralizada especialmente no Sumo Pontífice, o Bispo de Roma, o Papa.

É da estrutura episcopal a forma de diferentes níveis de ministério. O primeiro nível é o do ministro ou do sacerdote comum. Existe em algumas igrejas divisões dentro do primeiro nível, por exemplo, diácono e presbítero. Os membros deste nível realizam todas as tarefas básicas associadas ao ministério, pregar e administrar os sacramentos. Existe também um segundo nível aonde se situa o Bispo. O papel do Bispo é exercer o poder de Deus de que foi investido. Como representante de Deus e pastor, governa um grupo de igrejas, em vez de uma congregação local. Têm o poder de ordenar ministros ou sacerdotes.

Presbiteriana

O membro principal da estrutura presbiteriana é o presbítero, posição esta que remonta à sinagoga judaica. Os presbíteros também existiam na igreja do Novo Testamento. Vemos em Atos 11:30 a presença de presbíteros na congregação de Jerusalém.

Na forma de governo presbiteriana, a autoridade de Cristo é dispensada aos crentes, que a delegam aos presbíteros escolhidos por eles. Uma vez escolhidos, os presbíteros atuam em favor ou no lugar dos crentes. É, portanto, entre os presbíteros que a autoridade divina de fato atua dentro da igreja.

Essa autoridade é exercida através de uma série de concílios. Na igreja local, o conselho é responsável pelas decisões. Dentro de uma área geográfica, todas as  igrejas são dirigidas pelo presbitério. O grupo seguinte é o sínodo, formado pelo mesmo número de clérigos e presbíteros leigos escolhidos pelo presbitério. A igreja Presbiteriana também possui um nível mais alto, chamado Supremo Concílio, também composto de leigos e clérigos dentre os presbíteros. As atribuições e prerrogativas destes concílios estão descritas na constituição da denominação.

Congregacional

A forma de governo congregacional evidencia o papel do cristão como indivíduo e a igreja local como centro da autoridade. Autonomia e democracia são dois conceitos fundamentais no sistema congregacional. Entendemos por autonomia que a igreja local é independente e governa a si mesma. Não existem poderes externos para controlar a igreja local. Pelo conceito  de autonomia, cada igreja local chama seu próprio pastor e gerencia o seu orçamento. Adquire e gere suas propriedades sem qualquer autoridade externa. Por democracia podemos entender que cada membro da congregação tem vez em seus assuntos. São as pessoas membras da congregação que possuem e exercem a autoridade. Nenhuma pessoa ou grupo tem a prerrogativa da autoridade. O conceito de democracia baseia-se no sacerdócio universal de todos os crentes, que ficaria prejudicado, no caso da nomeação de bispos e presbíteros. Para eles, a obra de Cristo torna desnecessários tais cargos, haja vista que agora cada crente tem acesso ao Santo dos Santos e pode ter acesso direto a Deus. Congregacionais, batistas e boa parte dos grupos luteranos praticam essa forma de governo.

Sem governo

Os Quacres (Amigos) e os Irmãos de Plymouth, afirmam que a igreja não necessita de uma forma concreta ou visível de governo. Por isso eliminaram toda a estrutura de governo. Eles enfatizam a atuação interna do Espírito Santo, que exerceria a sua influência sobre as pessoas crentes e os dirigiria de maneira correta e não através de organizações.

Um sistema de governo eclesiástico para hoje

As tentativas de estabelecer para a igreja uma forma de governo que esteja de acordo com a autoridade da Bíblia esbarram em dificuldades em dois pontos. O primeiro é a falta de uma exposição prescritiva por parte da Bíblia de como deve ser o governo da igreja. E ao analisar as descrições de igreja no Novo Testamento encontramos o segundo problema. Há tantas variações descritas de igreja no Novo Testamento que não conseguimos estabelecer um padrão. È preciso então que busquemos no Novo testamento princípios que nos ajudem a construir uma forma de governo que esteja de acordo com eles.

Fica evidente no Novo Testamento o princípio da ordem (1 Coríntios). É desejável que certas pessoas sejam responsáveis por ministérios específicos. Outro princípio claro e fundamental é o do sacerdócio universal de todos os crentes. Cada tem a capacidade de se relacionar diretamente com Deus. Finalmente, esta implícito em todo Novo Testamento que cada pessoa é importante para todo o corpo.

Carlos Almeida

Citações:

(1) Erickson, Millard J. – Introdução À Teologia Sistemática – Tradução: Lucy Yamakami – São Paulo – Vida Nova, 1997 – Página 453
Referências: Introdução À Teologia Sistemática – Millard J. Erickson – Tradução: Lucy Yamakami – São Paulo – Vida Nova, 1997

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