segunda-feira, 29 de julho de 2013

Francisco, um exemplo para todos

Assim como Giovanni di Pietro di Bernardone, tornou-se Francisco de Assis, o Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, ao ser eleito Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, tornou-se Papa Francisco, em referência e homenagem ao santo católico, seria um sinal de mudança? 
 
Ao ser tocado pela presença divina durante uma farra com amigos e se converter, Francisco de Assis, deixou para trás uma vida de inquietações e mundanismos, com a crença de que o Evangelho deveria ser seguido à risca, imitando assim a vida de Cristo. O frade católico Italiano desenvolveu uma profunda identificação com os problemas dos seus semelhantes, mais especificamente, identificava-se com os mais pobres dentre os pobres. 
 
O exemplo de vida de completa dedicação ao próximo, sua sinceridade espontânea e uma simplicidade autentica, fizeram que Francisco de Assis fosse considerado por muitos como a maior figura do Cristianismo desde Jesus Cristo. Sobre ele escreveu o maior poeta italiano Dante Alighieri: “Luz que brilhou sobre o mundo”.  
 
Jorge Mario Bergoglio, o hoje Papa Francisco, assumiu a liderança da Igreja católica, com o número de fiéis em vertiginosa queda, dos incríveis 99,7% de 1872, para 64,6% de 2010. Também se viu na posição de “varrer” os escândalos financeiros e sexuais de dentro da Cúria Romana.  
 
Tamanhos desafios pareceram não intimidar o Bispo de Roma. O seu comportamento desde a sua primeira aparição pública já como Papa eleito demonstrava genuína simpatia e humildade, sem deixar transparecer que estas suas características pudessem parecer fraqueza. 
 
A Jornada Mundial da Juventude quer tenha sido marcada estrategicamente ou não para o Brasil, (por ser o maior pais católico do mundo e ou por estar perdendo fiéis em larga escala), trouxe o Papa Francisco para o Brasil, e esta sua vinda despertou interesse não só dos católicos brasileiros, como também despertou no seio evangélico uma curiosidade sobre o que representaria para a comunidade evangélica brasileira esta visita do Papa católico. 
 
Eu nasci católico, fui coroinha, membro da Renovação Carismática Católica. Abandonei a Igreja Católica por discordar do culto aos santos, do culto à Maria, confesso que fiquei emocionado com a figura humilde do Papa Francisco. A minha indignação com o culto à personalidade dos líderes evangélicos, o seu interesse por poder político, o seu amor pelo dinheiro, a manipulação que fazem dos textos Sagrados em benefício próprio, contrastaram com o comportamento do papa, que mostra publicamente como deve se comportar um homem de Deus. 
 
Por mais bela e aprazível que seja a cidade do Rio de Janeiro, a falta de segurança, o banditismo, me fazem perder a vontade de visitar a cidade. E por causa disto, ver uma multidão de pessoas enfrentando o caos do transporte público, a chuva, o frio, sem dar a mínima para a insegurança, tudo isso para ver o papa, me emociona realmente. 
 
Ao frequentar a Renovação Carismática Católica, aprendi a estudar a Bíblia, ao estuda-la, descobri que eu não estava errado quando me incomodava ao cultuar “santos humanos” e rezar pela intercessão de Maria. Esta descoberta me libertou, e mesmo tendo permanecido um tempo afastado, fui buscado, encontrado e trazido para o corpo da Igreja de Jesus Cristo. Numa dimensão maior, num contexto diferente, Martinho Lutero, no século XVI já havia feito esta mesma descoberta, e num ato de coragem tentou transformar a Igreja por dentro, e falhando, deu inicio à Reforma.   
 
Tenho lido alguns blogueiros, que estão vislumbrando uma provável nova reforma na Igreja Católica, eu particularmente não creio nisso, ficaria feliz se acontecesse, mas não creio que acontecerá. Vejo, porém, como positiva a visita do Papa Francisco ao Brasil.
 
Em primeiro lugar pensei no despertar espiritual que ele poderia provocar nos jovens, livrando-os da apatia, do aprisionamento causado pelo relativismo da era moderna. Em segundo, as posições do papa sobre o aborto e sobre a união homoafetiva, seriam um reforço importante a ser somado à posição evangélica sobre estes assuntos. Porém, um algo a mais me surpreendeu, a ênfase que o papa deu a uma vida humilde, simples, misericordiosa para com os mais humildes e desvalidos, em comparação ao que vemos no Brasil. 
 
O Papa trouxe na mala que ele mesmo carrega um discurso contra a corrupção, contra o canibalismo capitalista, contra a ética relativa e maleável das lideranças políticas, empresariais, e religiosas. Ele nos apresentou um jeito cristão de liderar, de dar exemplos. Sua coragem de se posicionar contra pecados amplamente praticados e disseminados no meio do povo brasileiro, me faz admirá-lo, não a ponto de regressar ao seio católico, mas a ponto de com ele cerrar fileiras para lutarmos pela salvação do nosso povo e regeneração de toda a criação. 
 
Papa Francisco, como cristão eu rogo a Deus que lhe dê um papado longo e coragem e inspiração divinas para aprofundar as reformas na Igreja Católica Romana, e que continue sendo exemplo para todos, inclusive para a liderança evangélica brasileira. 
 
Carlos Almeida

Nenhum comentário:

Postar um comentário