terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pastores ou impostores?

“Maltratada pelo uso constante, a pele de cordeiro já apresenta sinais de desgaste, deixando à mostra o lobo que se esconde por baixo. Pode ser que tenha existido, mas eu nunca soube de um lobo que tenha ficado tanto tempo camuflado como um cordeiro”.

Numa pequena cidade havia uma igreja evangélica que outrora já fora grande, em proporção à cidade é claro. Mas depois de sucessivos escândalos provocados por seus pastores o número de membros diminuiu, podendo ser contados nos dedos de uma mão.

Depois destes acontecimentos foi enviado à cidade o pastor “ Fulano de Tal”, relativamente jovem, mas já com alguma experiência. Com seu comportamento sério, sua conduta adequada, este pastor logo começou a reconduzir à igreja os membros que tinham se afastado. Alguns deles não voltaram, mas muitos trilharam o caminho de volta.

Passados cinco anos, algo mudou, o pastor antes dedicado exclusivamente à obra de Deus, passou a interessar-se por política, passou a gostar de andar na presença dos políticos locais. Além do púlpito passou a gostar de estar nos palanques, nas festas, nos jantares, nas inaugurações, sempre ao lado de políticos “influentes” da cidade.

Não tenho vocação pastoral, por este motivo fui buscar informações sobre a vocação de pastor. Dentre tudo o que encontrei cito Oswaldo Jacob no seu artigo “ Políticos-pastores, pastores-políticos ou pastores”: 

“Aquele que foi chamado pelo Senhor para a obra do ministério deve ter a consciência da sua vocação e do serviço para o qual foi convocado. Pastor é pastor.(...)Ele não se envolve com política partidária porque precisa ter isenção para fazer críticas pertinentes, para denunciar o erro à luz da Palavra de Deus. Liderar a comunidade nas reivindicações e cobranças”.

Na igreja da pequena cidade o sinal de alerta se acendeu, pessoas de senso crítico começaram a afastar-se da igreja após discutirem com o pastor sobre a forma que ele estava se portando. Num desabafo surpreendente na passagem de ano de 2013 para 2014 o pastor disse em alto e bom som:  “Neste novo ano esta cidade vai conhecer quem é o pastor Fulano de Tal”. Uma clara alusão aos seus planos.

Em apenas um mês, por conta de seus compromissos políticos, o pastor trouxe para a cidade três pastores itinerantes diferentes para fazer as tão lucrativas campanhas de milagres. Alguns dizem que foi por falta de tempo para preparar os sermões, outros dizem que foi porque campanhas arrecadam mais, outros, porém, dizem que foram os dois motivos juntos que fizeram com que o pastor terceirizasse a pregação da igreja para estes mercenários ambulantes do evangelho e suas campanhas dinheirísticas.

Há muito tempo alguns  pastores estão dando uma ênfase exagerada e descabida à prosperidade e às necessidades carnais nas suas pregações. Sermões triunfalistas, orações “poderosas”, tudo isso para satisfazer a ânsia desenfreada por abundância material e curas físicas de um rebanho perdido e enganado. Com essa atitude, estão transformando suas ovelhas em consumidoras de bênçãos, e assim condenando-as ao destino eterno, não junto do Trono da Graça, mas sim, atolados no lago de fogo, dor e lamentações eternas.

Esta retórica perniciosa passou a ser a única forma do pastor Fulano de Tal pregar nos cultos. O pastor ao invés de pregar o arrependimento e a conversão, está ensinando a força do pensamento positivo. É muito triste ouvir um pastor ensinar que devemos esperar que o Senhor nos agracie com prosperidade material, é triste ver Cristo transformado num mero garçom, apenas para atender aos nossos pedidos.

Dias atrás um membro da igreja do Pastor Fulano de Tal, recebeu uma ligação dele, e através deste telefonema foi informado que a célula que existia em sua casa estava extinta, assim, sem mais explicações, sem aceitar um pedido para um encontro pessoal para discutirem e acharem uma solução para o caso. Além de tudo, agiu como um covarde.

Corre entre os membros da igreja que o motivo para o fechamento da célula, foi um pedido para que o pastor apresentasse um balanço das finanças da igreja, já que nunca tinha feito tal prestação.

Por se sentirem donos do dinheiro da igreja, alguns pastores  passam a gastar como bem querem e entendem, sem dar satisfação sequer à Diretoria, e muito menos à igreja, que se sente desconfiada, por nunca ter um relatório financeiro da tesouraria. Este parece ser o caso do pastor Fulano de tal.

Debrucei-me sobre o caso do pastor Fulano de Tal, pois fiquei curioso em saber como uma pessoa que até um ano atrás parecia ser a melhor das pessoas, ser reto, integro, compassivo, misericordioso, passa a ter um comportamento tão estranho, tão mesquinho, tão fora dos propósitos de sua “suposta vocação”.

Não tenho nada contra cristãos atuarem na política, pelo contrário, creio ser saudável e necessário que bons cristãos tornem-se bons políticos. Sou contra um pastor querer ser ao mesmo tempo pastor e político, se quer ser político que passe a direção da igreja para outro pastor e vá ser um bom cristão na política.

Vou estar atento aos desdobramentos e prometo trazer ao conhecimento dos leitores do BLOG DA VIDA ETERNA, todos os detalhes da saga do pastor Fulano de Tal e rogo a Deus que lhe ilumine o entendimento e o traga de volta à razão.

Como diz o professor Jorge Barro: “Nossa tarefa não é tirar as pessoas do mundo, mas o mundo das pessoas. Se nós cristãos sairmos do mundo (sermos separados) quem será o sal da terra e luz do mundo? Jesus disse: [Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal]”.

Glória seja dada somente ao Senhor!

Carlos Almeida

Citações:

- Oswaldo Jacob, Políticos-pastores, pastores políticos ou pastores, texto na internet.
- Professor Jorge Henrique Barro, Aula 1 O significado da Cidade, Curso extensão EAD Teologia Bíblica da Missão Urbana, Faculdade Teológica Sul Americana, Londrina, Paraná.

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