sábado, 2 de janeiro de 2016

Em 2016 fuja do falso evangelho

Eu termino o ano de 2015 ainda muito preocupado com o que vem sendo pregado nos púlpitos de nossas igrejas. Tempos atrás publiquei neste blog um texto em que manifestei minha preocupação com a pregação da teologia da prosperidade por parte das igrejas neopentecostais, hoje, porém, são as nossas igrejas pentecostais clássicas que estão me tirando o sono, me deixando preocupado com o que estão ensinando.

Os cultos mais parecem palestras de auto-ajuda, cheios de chavões e frases de efeito. Os pastores ao invés de pregarem o arrependimento pelos pecados cometidos, estão ensinando a força do pensamento positivo. É muito triste ouvir um pastor ensinar que devemos esperar que o Senhor nos agracie com prosperidade material, é triste ver Cristo transformado num mero garçom, apenas para atender aos nossos pedidos.

Este tipo de pregação manipulada por pregadores ávidos por dinheiro, por reconhecimento nacional, ou até internacional, está fazendo com que muitos membros de nossas igrejas acreditem estarem salvos, embora a verdade seja outra, estão todos condenados a passar a eternidade no inferno.

Nos últimos quatro cultos que assisti em nenhum deles ouvi a verdadeira mensagem do Evangelho de Jesus Cristo: “... Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1:15).

Todos os textos foram manipulados para se adequarem ao evangelho da prosperidade, ao evangelho da cura obrigatória. Em nenhum momento fomos exortados a nos arrependermos e a crermos no Evangelho, em nenhum momento fomos confrontados com a verdade sobre nossos pecados.

Eu já disse antes e torno a repetir, se existe este tipo de pregação é por que existe demanda. Pastores espertalhões perceberam que o povo estava sedento por curas, por milagres e por prosperidade material, e seria melhor adaptar o discurso e manter os fiéis em suas próprias igrejas do que vê-los embarcarem nas promessas dos falsos profetas neopentecostais, enfim, para evitar que “embarquem na canoa furada dos outros, furam as suas”.

Um pregador americano disse: “Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer se encontrar com Deus lá”. As pessoas não tem mais temor a Deus, elas amam o seu modo de viver, amam o pecado e buscam, cada vez mais e melhores formas de viverem os seus pecados.

Viver uma vida sem pecado é impossível, afinal o homem não é perfeito, somente Jesus foi um homem perfeito, foi tentado, e não pecou, mas para que pudéssemos ser salvos, para que pudéssemos desfrutar da Graça divina, Jesus teve que nos substituir, teve que pagar o preço em nosso lugar, teve que enfrentar a justiça de Deus: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

Um fenômeno comum na Igreja Católica, esta começando a se manifestar na Igreja Evangélica, o grande número de crentes que se dizem evangélicos, mas que não frequentam nenhuma igreja. Estes “crentes sem igreja” são os frutos de uma pregação desprovida do verdadeiro sentido do Evangelho, são os frutos de uma pregação aonde Cristo não é o centro, são o resultado de uma pregação materialista, manipulativa que os leva ao vazio existencial e então, decepcionados com o que acham ser o Evangelho de Cristo, deixam de frequentar a igreja.

Um pastor conhecido por estar sempre presente no rádio e na televisão entra numa igreja em que foi convidado a pregar (ele aceitou vir por uma quantia simbólica de R$-10 Mil) e começa dizendo assim: “Irmãos, quando alguém convida vocês para virem a um culto como este que vai acontecer aqui hoje, é porque Jesus estará aqui para fazê-lo feliz, é isto, é simples, Jesus existe para fazê-los felizes”. Eu estava presente nesta noite, e não sei se agi de maneira correta, ao ouvir estas palavras, me levantei, peguei minha Bíblia e fui embora.

No dia que fui convidado para este culto, eu estava com meu coração quebrantado, estava triste por haver pecado há poucos instantes, estava arrependido pelo meu pecado. Eu sabia que estava assim porque o  Espírito Santo trocou meu coração de pedra, insensível ao pecado por um de carne que sofre pelo seu próprio pecado, mas ao mesmo tempo reconhece a felicidade de ser salvo por Cristo, foi neste estado que aceitei o convite para ir ao culto naquela noite.

Eu esperava ouvir a pregação do Evangelho que me faria odiar cada vez mais o meu pecado, o Evangelho que me faria reconhecer que só Deus pode me salvar por meio da fé em Jesus Cristo, que eu não sou nada e que meu pecado é horrível diante da Santidade de Deus. Esperava ouvir o Evangelho que fizesse com que eu continuasse a crer no que tinha crido antes, que eu continuasse me arrependendo como me arrependi antes e que eu continuasse me transformando como eu havia me transformado antes.

Mais uma vez eu digo, não sei se fiz certo ao levantar-me e sair, mas foi o que fiz. Não suporto mais estes mercadores de bênçãos, vendedores de unções. Que Deus tenha piedade de mim, piedade do seu povo e deles também.


Carlos Almeida

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